trade unions across Latin America.

Movimento Sindical Palestino pelo BDS – Chamado aos sindicatos de toda a América Latina

Disponível em inglês e espanhol.

Escrevemos  em um momento crucial da história para a classe trabalhadora e o povo palestino, mas também para trabalhadores e povos de toda a América Latina. Enquanto o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, transmitido ao vivo, prossegue sem qualquer trégua, e o cerco, a destruição e a limpeza étnica na Cisjordânia se agravam a cada dia, vemos também como a chamada “Doutrina Donroe”, atualmente implementada pelo imperialismo dos Estados Unidos, segue o modelo israelense aplicado em Gaza, segundo o qual a força se sobrepõe ao direito. A extrema direita em toda a América Latina é instalada ou sustentada por Israel genocida e pelos Estados Unidos, desde a manipulação de eleições e o treinamento militar até a austeridade extrema, as privatizações e a entrega dos recursos naturais.

Não há nada de novo no apoio de Israel a golpes promovidos pelos Estados Unidos, ditaduras militares e regimes de extrema direita, ao mesmo tempo que combate ativamente governos e movimentos progressistas na América Latina. Embora a Doutrina Monroe seja muito anterior à própria existência de Israel, a “Doutrina Donroe”, que elimina até mesmo qualquer respeito simbólico pelo direito internacional, pela democracia, pela soberania nacional e pelos direitos trabalhistas, não teria sido possível dessa forma sem o “experimento” israelense em Gaza. Como afirmou Craig Mokhiber, ex-alto funcionário das Nações Unidas para os direitos humanos, “em um mundo no qual nem mesmo o genocídio constitui uma linha vermelha, não existem linhas vermelhas”. Já em outubro de 2023, Gustavo Petro alertava que “Gaza é apenas o primeiro experimento para considerar todos nós descartáveis”.

Hoje, mais do que nunca, precisamos somar forças e unir nossas lutas: romper a cumplicidade e a colaboração entre Israel e os regimes, as instituições e as corporações latino-americanas fortalece a luta palestina e enfraquece aqueles que atacam os direitos dos povos em toda a América Latina.

Em 2005, o movimento sindical palestino, juntamente com o mais amplo consenso da sociedade civil palestina, assinou o chamado palestino por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), com o objetivo de pôr fim à cumplicidade com o regime israelense de colonialismo de assentamentos, apartheid e ocupação ilegal, bem como de garantir nosso direito à autodeterminação, incluindo o direito de retorno e a reparação integral. A partir desse chamado, nasceu um movimento global, no qual sindicatos de todo o mundo desempenham um papel central em diversas frentes: trabalhadores portuários bloqueiam cargas militares destinadas a Israel; trabalhadores dos setores de petróleo e carvão exigem o fim das exportações de energia para Israel; trabalhadores do comércio se recusam a manusear produtos do apartheid; trabalhadores do setor público se organizam para romper vínculos institucionais e contratos cúmplices; e trabalhadores das artes, da cultura e do esporte se recusam a participar de iniciativas que violem o chamado palestino ao boicote não violento.

Os sindicatos têm construído redes regionais para organizar, planejar e coordenar a solidariedade com a Palestina e romper a cumplicidade. É dever dos sindicatos assegurar que os trabalhadores que representam — seja nos portos, nos navios, nas empresas ou nos órgãos governamentais — não sejam envolvidos, muitas vezes sem seu conhecimento e/ou consentimento, em ações que impliquem cumplicidade com crimes e atrocidades cometidos em qualquer lugar, incluindo os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio perpetrados por Israel.

Hoje, precisamos nos organizar e construir conjuntamente uma resistência que defenda nossos direitos, ao mesmo tempo que seguimos avançando em nossas lutas por justiça e emancipação.

Nós, sindicatos palestinos signatários desta carta, convocamos os sindicatos latino-americanos a apoiar o Chamado do BDS de 2005. Incentivamos os sindicatos de toda a América Latina a se unir e construir uma rede pela justiça na Palestina e pelo fim da cumplicidade com nossos opressores coloniais. Estamos à disposição para apoiá-los na construção de campanhas de BDS, incluindo:

  • Adotar políticas de contratação e compras éticas (EPP) e, quando aplicável, políticas de investimento ético (EIP) que excluam corporações implicadas em graves violações de direitos humanos em qualquer lugar, inclusive na Palestina.
  • Pressionar as corporações e instituições nas quais atuam para que ponham fim a qualquer forma de cumplicidade, mediante o encerramento de contratos que apoiem, direta ou indiretamente, os crimes cometidos por Israel, bem como a adoção de políticas EPP e/ou EIP.
  • Interromper e bloquear pacificamente a transferência de materiais militares, energéticos e outros itens de duplo uso destinados a Israel, por meio das seguintes ações:
    • Participar de iniciativas destinadas a identificar e impedir transferências ilegais por via marítima, terrestre ou aérea, inclusive pressionando os Estados a cumprir suas obrigações internacionais relativas a esses carregamentos e pressionando os atores empresariais cúmplices.
    • Recusar-se a manusear materiais militares israelenses ou destinados a Israel, recursos energéticos e outras cargas de uso dual.
  • Intensificar as campanhas de BDS nos âmbitos econômico, acadêmico, cultural e esportivo.
  • Pressionar seus governos para que cumpram suas obrigações legais decorrentes das decisões da Corte Internacional de Justiça de 2024, conforme afirmado por especialistas em direitos humanos das Nações Unidas, impondo, no mínimo, “um embargo total de armas a Israel, interrompendo todos os acordos, importações, exportações e transferências de armamentos, inclusive de itens de duplo uso que possam ser utilizados contra a população palestina sob ocupação”, bem como cancelando ou suspendendo “relações econômicas, acordos comerciais e relações acadêmicas com Israel que possam contribuir para sua presença ilegal e seu regime de apartheid no território palestino ocupado”.
  • Romper todos os vínculos com a federação colonial israelense Histadrut e expulsá-la de todos os fóruns internacionais.
  • Declarar seu sindicato um Espaço Livre de Apartheid (ELA), a fim de pôr fim à cumplicidade empresarial e institucional com sistemas de opressão, especialmente com o regime israelense de apartheid e genocídio contra o povo palestino.

Os povos unidos jamais serão vencidos.
Juntos podemos vencer.

Signatários:

  • General Union of Palestinian Workers (GUPW)
  • Palestinian Union of Postal, IT & Telecommunications Workers
  • Federation of Independent Trade Unions
  • The Palestinian New Federation of Trade Unions 
  • Association of Employees of The Financial Sector - Palestine
  • Health Services Employees’ Association
  • Union of Workers in Kindergartens and Private Schools
  • Union of Workers in Local Authorities 
  • Palestinian Electricians Union 
  • Southern Electricity Company Employees Union